sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Ao truão.



“Lê, diverte-te e não queiras fazer juízos temerários sobre a pessoa do fanfarrão. Há muitos fanfarrões pelo mundo e talvez que tu sejas um deles também.”

A epígrafe das Cartas Chilenas do poeta e inconfidente Tomás Gonzaga é bem pertinente ao conteúdo aqui abordado. De fato o mundo está cheio deles, fanfarrões, truões, sofistas. E hoje, como no tempo das conjuras, um charlatão está entre nós. Não mais arbitrando contra a liberdade, mas sobre o conhecimento. Um engenheiro na indústria da confusão.

Desde Descartes e o “Discurso do Método”, se discute a dificuldade metodológica em ciências humanas, sobretudo em História, pois há o risco da interpretação, da introspecção e da representação. Ainda assim é o método que separa ciência de dogma, fato de teatro.

Qual o seu método grande bufão? Dialética da abobrinha ou niilismo do lero-lero? Materialismo vulgar da especulação e parcialidade? Se errei, permita-me mais uma tentativa: bajulação e tietagem aos fanfarrões midiáticos Azevedo, Jabor e Mainardi? Na mosca! Ah poupe-nos e poupe-se para não mais se expor ao ridículo.

Certamente não conhece a teoria crítica de Adorno, tampouco a psicologia de Vygotsky. Se os conhecesse entenderia que o marxismo está tão enraizado a todos os campos do conhecimento que se torna indispensável como método histórico-filosófico.

Se é que existe uma proposta pedagógica por trás de todo o seu malabarismo – de formar historiadores tediosos e melancólicos preocupados unicamente com o plano de aula do dia seguinte sem consciência critica da sociedade - falhaste duplamente caro truão. Primeiro porque fica claro seu jogo de ego, vaidade e soberba. Segundo pela sua tentativa inútil de adestrar alguns poucos fanfarrõezinhos em potencial, acaba por confundi-los através da persuasão e retórica medíocres que tens.

Contudo, preciso admitir, obteve êxito e seduziu algumas pobres almas que, como o senhor, são igualmente discípulos do Pomadismo: doutrina descrita por Machado de Assis no conto “O Segredo do Bonzo”, no qual os homens tem facilidade de sobrepor opiniões à realidade, deformando a verdade. Pensar é cansativo e angustiante e por isso não é privilégio de todos, não é?

O pessimismo me impede de acreditar em mudanças de caráter e comportamento. Ora, quem tanto critica o Estado e o funcionalismo público e continua mamando nas tetas do governo só pode estar ultrapassado, podre e fedendo; é o cumulo da hipocrisia. Logo, o objetivo aqui não é mudá-lo ou convertê-lo, é apenas um grito pela ética acadêmica e profissional.

Um comentário:

Marcos Faria disse...

Olá Rui,li o seu texto e me abriu a visão sobre alguns aspectos,pois estou começando agora e necessito saber que caminho percorrer.Abraço Professor.